Persistência “Top”

by Patrícia Teixeira de Abreu | Jun 17, 2020 | Famílias | 2 comments

A Francisca é das minhas três filhas a que detecta de imediato se estou triste. Um dos principais skills dos disléxicos é o facto de terem uma sensibilidade muito apurada e rapidamente conseguirem conectar-se ao outro (ver: Os Disléxicos e os skills de comunicação)

Normalmente abraça-me e diz-me com um ar preocupado : “ Tu hoje não estás bem”. E eu bem posso dizer que estou só cansada que ela não descansa antes de me ver sorrir. Nesses dias faz os trabalhos sem uma única refilice e enche-me de mimos.

No outro dia estava muito atarefada, e eu não estava a perceber a razão. Procurava no livro de receitas da Avó a receita das minhas bolachas preferidas e quando finalmente encontrou (sozinha), lá convenceu uma das manas para a ajudar e tratar da parte do forno.

As bolachas ficaram diferentes mas não fez mal nenhum. Vinham numa caixa com um bilhete, e ela disse-me ao ouvido no meio de um abraço “ Mãe sabes aquela coisa que me acontece as vezes de saltar linhas a ler? Saltei a linha da farinha, mas não faz mal pois não?”

Claro que não – disse-lhe eu no meio de um grande abraço. Comemos as bolachas que não estavam de facto iguais e eu não pensei mais no assunto, mas a Francisca não ficou contente com o resultado. No dia seguinte voltou para a cozinha e fez outras. Desta vez leu a receita direitinho e estavam deliciosas. Ficou radiante, e foi com enorme orgulho e com os olhos a brilhar que me fez uma nova surpresa.

Isto fez-me pensar que podemos aproveitar toda e qualquer situação para reforçar a autoestima dos nossos filhos, e potenciar a persistência que tão bem os caracteriza.

Aprendo imenso com esta minha filha disléxica. Aprendo a não desistir e a olhar para o erro como mais um degrau para o sucesso.

PS- As receitas de culinária são uma boa forma de treinarem a leitura a brincar e… a persistência também!

2 Comments

  1. Inês Silva

    Hoje tive a confirmação que a minha filha é dislexia, ela vai para o 3o ano e há 1 as no que tem terapia da fala e ocupacional. Neste momento o que me preocupa mais é ela sair frustrada e com a sua autoestima baixa por causa disto..

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    • Patrícia Teixeira de Abreu

      Olá Inês,
      Trabalhar diariamente a autoestima é algo que para mim é fundamental com a Francisca. Step by step vai-se sentindo mais confiante e isso ajuda muito!
      Um beijinho e muita força!
      Patrícia

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