Caminhar com firmeza

Caminhar com firmeza

Agora que a escola já flui, que as rotinas foram repostas e as saudades colmatadas, vamos desbravar mais a Dislexia e eliminar algumas dúvidas que ocorrem aos Pais.

Embora a Dislexia, segundo o DSM5, só possa ser diagnosticada ao final do segundo ano de aprendizagem da leitura e da escrita, temos de estar todos bem cientes que outros aspetos nos podem colocar com a dúvida do ser ou não ser Dislexia, bem antes desses dois anos, e o bem antes, pode ser observado desde os 3 anos, mas sem dúvida que o último ano de pré-escolar é uma etapa decisiva.
E estamos todos de acordo que dois anos de intervenção prévia pode, e vai ter muito resultado na minimização das manifestações da Dislexia!

Minimizar? Sim, não nos podemos esquecer que a Dislexia é uma condição permanente, mas as suas queixas essas sim podem ser transitórias e minimizadas, desde que trabalhadas.
Pais, Terapeutas, Educadores, Professores, Pediatras, Neuropediatras, Neuropsicólogos, Psicólogos Educacionais, todos na mesma causa, todos à sua maneira devem estar atentos.
E todos devem intervir. Cada um na sua função para o bem estar e desenvolvimento da criança.

E ao que devemos estar atentos?
A questões da fonologia, da linguagem, da compreensão da audição ou da compreensão visual, à orientação espacial e temporal, à coordenação motora, à memória e atenção.
Estes são alguns dos aspetos base a ter em conta num desenvolvimento de uma criança, quando pensamos em dislexia.

Prontos para trabalhar?
Os primeiros meses de escola já estão a terminar, e com isso o reconhecimento de como estão as nossas crianças estão a evoluir.

É hora de investigar todos os processos de aprendizagem e entender o que está ou não consolidado.
Lembrem-se que dificuldades todas as crianças vão ter em alguma altura da sua escolaridade ou em algum campo de aprendizagem específico. Porque são seres únicos com capacidades e gostos diferentes.
Mas se as dificuldades se mantêm por demasiado tempo, vamos intervir e não esperar que eles cresçam mais um bocadinho ou que consigam fazer sozinhos.

Não podemos nem vamos ter medo de ouvir que alguma coisa pode não estar bem, mas pelo contrário vamos identificar as dificuldades e trabalhá-las até à exaustão.
O diagnóstico é sim importante, mas as áreas de intervenção estão disponíveis para serem trabalhadas em qualquer momento. Mesmo que o vosso filho já esteja no ensino secundário, faculdade, não importa, podemos sempre trabalhar para melhorar.
Por várias vezes vos falei em estimular de maneira diferente. Se o método normal não é suficiente temos de sair da normalidade e descobrir o que torna a aprendizagem mais fácil, os pontos fortes de trabalho da criança e a sua
resposta aos estímulos multissensoriais.

E quem são eles?
Estímulos auditivos, visuais, tácteis, cinestésicos, vestibulares, e até mesmo olfativos e gustativos.
Existem várias maneiras de apresentar o mesmo conteúdo e cada uma delas vai atrair um ou mais estímulos multissensoriais.
Vão permitir pelas várias formas de criar contexto, que haja uma interligação entre o conteúdo (matéria escolar ou não) e a maneira como representamos esse conhecimento.
Esta exposição ao conhecimento bem como a sua representação (o conhecimento aprendido), vai variar de criança para criança e de estímulo, permitindo a cada área do cérebro que os representa (os estímulos) ser ativada.
Quando as áreas são ativadas vão por sua vez trabalhar em simultâneo com as restantes, traduzindo-se a aprendizagem, numa memorização do conhecimento e por último, mas muito importante a consolidação dos conhecimentos.

Vamos aprender através de todos os estímulos?

Sara Lourenço Gomes

Terapeuta da Fala. Durante a minha licenciatura em terapia da fala percebi que afinal todas as dificuldades que tinha sentido na aprendizagem escolar tinham um nome. Talvez por isso seja tão estimulante e gratificante trabalhar e acompanhar o crescimento destas crianças no dia a dia.

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