Será dislexia?

Será dislexia?

A entrada na escola é uma alegria para pais e filhos, a descoberta do mundo das letras e números, o desafio o crescer.

Aparecem as vogais, os ditongos (junção de duas vogais), a motricidade fina começa a ser levada ao limite com tanta repetição das mesmas vogais…

O feedback que vem da escola é que precisamos de ter calma, talvez estimular um pouco mais, deixar crescer um bocadinho…

Começamos a observar que as letras são escritas em esforço e que a caligrafia mais se assemelha a hieróglifos.

A criança não evolui, não há como conseguir que memorize cinco vogais, os ditongos viram pesadelos e de um momento para o outro a professora começa a ensinar consoantes! Desespero total!

Como fazer entender que a letra /f/ que todos lhe chama de “efe” ao ser lida tem o som de “fe”, mas agora a exigência é outra, precisamos juntar consoante e vogal, e volta o pesadelo das vogais.

Começa a luta de /f/ e /a/, fa, /f/ e /e/ fe… Mas a cantilena do fa, fe, fi, fo, fu não sai, e tentamos e voltamos a tentar, mas nada de conseguir distinguir, e quando devia de sair um fa, a criança lê um fo, e depois corrige para fe, e começa a lengalenga do estou cansado/a, não me lembro, a professora não explica como tu, e as idas à escola viram tormenta, o desespero e a tristeza começam a querer instalar-se.

Perante a dificuldade de aprendizagem e angustia que pais e filhos sentem, a necessidade de se descobrir a causa é enorme.

Mas como saber ao certo se é ou não Dislexia?

Será igual em todas as idades? Todos os meninos apresentam as mesmas dificuldades?

Por favor Pais não leiam o seguimento deste texto como se de uma lista se tratasse, não se realiza o diagnóstico de Dislexia por cumprir um ou mais itens que vão abaixo ser descritos.

Para um correto diagnóstico de Dislexia, é necessária a avaliação por parte do Terapeuta da Fala, Pediatra e informação da Educadora/Professora.

A escola pode dar algumas indicações aos pais sobre as dificuldades que a criança está a sentir, o Pediatra avalia e indica o caminho para a Terapia da Fala, a Terapia da Fala indica a estratégia a seguir, e os Pais em colaboração com todos os técnicos têm de estar incluídos no processo de trabalho.

 

Fatores a ter em conta dos três aos cinco anos:

  1. Falar tarde, discurso infantilizado, palavras mal pronunciadas, podendo fazer assimilações e trocas de silabas.
  2. Dificuldade na aprendizagem de novas palavras, não memorizando a palavra e/ou significado, e quando solicitado ser incapaz de a produzir corretamente.
  3. Dificuldade em aprender as cores, formas, dias da semana, meses do ano, estações, nomes dos pais, incapacidade de memorizar o nome das letras do próprio nome.
  4. Dificuldade ao tentar rimar palavras, ou entender o que são rimas,e de reconhecer grafemas e fonemas.
  5. Dificuldade no desenvolvimento da motricidade fina. Ainda não é capaz de abotoar sozinho o casaco, o fecho do casaco, cordões dos sapatos, não faz correta pega do lápis.

 

Dos cinco aos nove anos:

  1. Todos os parâmetros anteriores.
  2. Dificuldade no processo fonológico. Dificuldade em entender que as palavras podem ser divididas em partes, em associar letras a sons, em separar sons em palavras e misturar sons para fazer novas palavras.
  3. Dificuldade na memorização do grafemas e das suas representações sonoras (fonemas).
  4. Dificuldade de ler palavras simples. Em contexto individual ou de texto.

 

Dos nove aos treze anos:

  1. Todos os parâmetros anteriores.
  2. Vergonha em ler em voz alta.
  3. Discurso não fluente com muitas hesitações, com dificuldade em encontrar as palavras certas.
  4. Dificuldade em distinguir palavras com sonoridade semelhante quer na leitura quer na escrita.
  5. Dificuldade em interpretar textos, interpretar enunciados de problemas matemáticos ou realizar testes de escolha múltipla.
  6. Tempo de leitura não adequado e leitura com muitas imprecisões.

 

Os parâmetros são variados, mas quanto mais cedo se fizer um diagnóstico, mais depressa poderemos começar a ajudar a criança a ultrapassar as dificuldades na leitura e na escrita, corremos deste modo um menor risco de uma diminuição de auto-estima e de aversão à escola.

É necessário explicar à criança tudo o que se está a passar de modo claro, sem causar ansiedade, mas explicando que existem outros métodos de aprendizagem da leitura e da escrita que vão ser experimentados, e que todos juntos vamos encontrar o caminho…

Sara Lourenço Gomes

Terapeuta da Fala. Durante a minha licenciatura em terapia da fala percebi que afinal todas as dificuldades que tinha sentido na aprendizagem escolar tinham um nome. Talvez por isso seja tão estimulante e gratificante trabalhar e acompanhar o crescimento destas crianças no dia a dia.

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