Um dia feliz… ( by Francisca)

Um dia feliz… ( by Francisca)

Uma das coisas boas da pandemia é que a mãe vai-me buscar à escola todos os dias porque está em teletrabalho. Isso é tão tão bom! Eu adoro. A mãe fica cá fora e eu desço um corredor toda carregada de mochila, casacos e com imensa tralha que acumulo na escola. A mãe olha para mim e antes de eu dizer uma única palavra, já sabe se o dia correu bem, se correu mal, se me zanguei com as minhas amigas … tudo isto antes de eu dizer olá. Mas é que não é às vezes. É sempre.

Hoje quando me viu a mãe perguntou logo o que tinha acontecido. Disse que eu estava com um olhar ansioso. Nem sei bem o que é isso, mas eu tinha recebido os testes. Disse à mãe que tinha 2 notícias : uma boa e outra má. A mãe disse que queria ouvir primeiro a boa. Então eu disse que tinha tido uma nota muito boa a Estudo do Meio e Português. A mãe ficou super contente e deu-me um grande abraço. Às vezes a mãe é um bocado espalhafatosa quando estamos na escola. Não há necessidade. Mas pronto, nada a fazer.

Depois disse-lhe a outra nota que foi infinitamente pior. A mãe não se zangou nem ficou triste. Nunca fica, não sei porquê que eu fico preocupada. Mas a verdade é que eu não gosto nada de não ter boas notas. A mãe abraçou-me outra vez (só passo vergonhas eu) e disse me que íamos ver o teste juntas e que íamos trabalhar de outra forma. Perguntou se eu tinha chorado, que não fazia mal chorar, que… ( a mãe às vezes é um bocado seca nestas coisas), mas eu disse que não. “Eu aguentei-me mãe”.

Chegámos a casa e vimos os testes. Ficou muito contente,porque eu acertei tudo o que trabalhámos as duas, e prometeu que me ia ajudar na Matemática. Eu acho que quando viu a minha composição impecável com um grande certo com a introdução, 3 parágrafos de desenvolvimento e conclusão, como a terapeuta ensinou, a mãe quase que chorou de alegria.

Depois saiu de casa, e foi ao supermercado e comprou uma caixa “inteirinha” e só para mim de Ferrero Rocher (que são os meus bombons preferidos). Eu fiquei radiante, não estava nada à espera. Quando se é a mais nova não recebemos coisas de crescidos. Uma caixa de bombons é mesmo à crescida. Não é um Pai Natal de chocolate ou uma “bebezice” do género (que eu também gosto, ok?). Fiquei super, mas super contente.

Foi um dia feliz. Não foi um dia perfeito, mas foi feliz!

Beijinhos
Francisca

PS- A mãe escolheu esta fotografia, porque representa a superação do meu medo de andar de SUP. Esse foi mais um medo que eu superei este Verão e fui com a mãe sentada na prancha dela dar um passeio muito giro na barragem. Isto no ano passado seria impensável. Decididamente estou uma crescida!

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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