Trabalhar com a Francisca em quarentena – Semana #2

Trabalhar com a Francisca em quarentena – Semana #2

Se esta semana foi mais fácil?

Não, não foi.
Por um lado criámos novos hábitos e o cansaço diminuiu, mas por outro lado aumentou a irritação e a falta de vitamina D.

Estamos claramente em adaptação. Nem vale a pena aquela pedagogia de que vamos todos aprender imenso. Vamos. Mas não é já. Eu continuo a achar que dias absolutamente irritantes, são normais, e não temos de nos sentir culpados por não ser espectacular estarmos com os nossos filhos dias e dias a fio, 24 horas por dia, num apartamento sem poder sair.

Adoro as minhas filhas, mas claramente que isto, sendo absolutamente necessário, não é nada saudável. Elas também dizem sem filtros “ adoro as minhas irmãs mas já não as posso ver à frente”, e também pensam, que eu sei (mas não dizem – vá-se lá saber porquê) “ já não posso ver a mãe à frente” – Paciência. É a lei da sobrevivência!

Com isto não quero dizer que passámos uma semana horrível sem nada de bom, e sem fazermos nada para que a nossa vida fosse mais feliz. Nada disso: fizemos bolos, jogos, jantares gourmet, aulas de ginástica, rimo-nos com parvoíces…mas longe de ser o cenário idílico!

O quê que eu fiz de diferente esta semana?
Fiz alguns “webinares” sobre comunicação. E porquê? Primeiro, porque precisamos de sentir que fazemos mais na nossa vida para além de trabalhar, tomar conta de crianças, tratar da casa e fazer almoços. É importante termos coisas que nos façam sair do mundo mais pequeno onde estamos agora confinados. Isso motiva e dá-nos ideias para aplicar não só com nossa família, mas também no nosso trabalho.E depois, porque mais do que nunca precisamos de comunicar melhor quando todos estamos emocionalmente mais instáveis.

Não prescindi de tempo só para mim (nem que sejam 30 min por dia), onde não faço rigorosamente nada, ou leio um dos meus livros. Leio normalmente vários livros ao mesmo tempo. Esta semana escolhi o meu livro de PNL (programação neuro linguística) e descobri que se aliasse a comunicação à PNL poderia ajudar de melhor forma a Francisca.

E na prática isso significou o quê?
Significou que, de dia para dia, consegui aumentar o ritmo de trabalho dela ao associar emoções positivas ao trabalho diário. Às vezes um abraço apertado antes de um “vamos trabalhar” põe a Francisca automaticamente no mood. Felizmente cá em casa não faltam abraços, e esse gesto foi tantas vezes repetido que inconscientemente o abraço acalma-a imediatamente.

Continuamos a escrever os trabalhos da professora no caderno de tarefas a fazer, e a colocar os certos, que são tão motivantes. Esta semana ainda juntámos a isso uma ficha de português diária com composição ou uma ficha de matemática. Sem fitas.Foi bom!

(claro que não foi sempre sem fitas. Há dias em que tenta sempre negociar. Para mim o importante é que perceba que o trabalho vai ter de ser feito. No máximo negociamos o “quando”- mas dentro das opções previamente definidas por mim. Ela sente que tem poder de decisão e eu foco-me em ganhar a guerra e não em ganhar todas as batalhas).

PS – Para que conste:2 semanas depois, detesto o classroom, e já não posso ver a escola virtual à frente.

Cenas dos capítulos anteriores: Trabalhar com a Francisca em quarentena – Semana #1

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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