T-É-D-I-O

T-É-D-I-O

Diálogo do meu “eu”
⁃ Vais escrever o post de Domingo?
⁃ Não sei.
⁃ Porquê?
⁃ Porque não me apetece.
⁃ Mas isso agora é assim, por apetites?
⁃ É.
⁃ Então e o compromisso de o blog ser algo totalmente real e não uma história cor de rosa?
⁃ Não tenho nada para dizer.
⁃ Claro que tens. Como é que te sentes?
⁃ O quê que isso interessa?
⁃ Tudo. Achas que os pais que te lêem estão sempre felizes?
⁃ Não, mas só precisam de ler textos motivadores.
⁃ Não.Precisam de ler textos reais, é com isso que se identificam e é esse o teu compromisso.
⁃ E isso serve para quê?
⁃ Para que não se sintam sós.
⁃ Ok. Ganhaste. És o “eu” mais chato do mundo.
⁃ Eu sabia que serias sensível à solidão, oh “eu” entediado.

Uma das minhas máximas de vida é que não há nada que dure para sempre. Para mim isso é válido para tudo. Será também aplicável a este tédio que me assolou de repente (ou talvez tenha chegado devagarinho sem eu perceber) nesta pandemia persistente.

Estou ansiosa que acabem as aulas, mas ao mesmo tempo não faço ideia como serão as férias. Estou ansiosa de ter a liberdade de ir ao escritório mas também não sei como vou coordenar tudo o resto. Estou ansiosa de fazer algo diferente, mas tudo me parece monótono e igual ou trabalhoso e aborrecido. Estou ansiosa de um jantar de amigos, mas isso é uma realidade que me parece absolutamente longínqua.Estou ansiosa de me sentir livre mas parece-me que vamos estar prisioneiros deste Covid o resto do Verão. Na realidade estou ansiosa da minha vida normal, e nem sequer sei como é que vai ser o novo normal.

Na verdade tudo se resume a algo que como mãe de uma criança disléxica já deveria saber que não existe: o controlo.

Resolvi aplicar a tudo isto os princípios da dislexia paciência, persistência e calma. Parei estes dias e fiquei à espera que passasse. Ainda não passou, mas voltando ao início nada dura para sempre.Nem o aborrecimento.

PS- Eu disse à Francisca: Estou aborrecida….vamos fazer a terapia (com zero de vontade). E ela, que anda radiante, disse-me com uma grande lata “ Deixa lá isso mãe! Não me parece que queiras passar do aborrecida ao irritadinha”.

PS2- Para que conste,claro que fizemos a terapia (mesmo com zero de vontade).

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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