Que primeiro dia de aulas…

Que primeiro dia de aulas…

Sexta feira foi o primeiro dia de aulas. Apesar de todos os riscos, não me angustiava o regresso à escola. Confesso que me angustia muito mais pensar num possível regresso a casa, com aulas on-line e birras presenciais.

Até tenho dificuldade em descrever a alegria quando a deixei na escola. A minha e a dela.

A escola fez uma coisa que eu acho espectacular. Começou as aulas à sexta feira só para brincar. Não foi preciso livros nem cadernos. Só brincar. Achei de uma sensibilidade enorme. De facto os miúdos não vêem os amigos e a professora há 6 meses, e 6 meses é uma eternidade para quem tem muitas saudades. Precisam de pôr a brincadeira em dia. Em tempos de pandemia, as saudades eram tantas que brincavam por Facetime: barbies de um lado barbies do outro e assim brincavam horas!

Já não me lembrava da rotina de preparar almoços e lanches, acordá-la muito cedo, ficarmos um “mini bocadinho” abraçadas na cama dela com o despertador para 10 minutos depois, o despacha-te, as discussões por causa da roupa “ Mãe nem penses que levo calças de ganga, que me sufocam as pernas”. Isso e as não sei quantas camisolas da escola todas enroladas na gaveta porque estão apertadas, largas, curtas, compridas e que implicam que rapidamente feche a gaveta com um sorriso “ Mãe sabes não gosto muito de abrir a minha gaveta quando andas por perto”.

Estávamos tão ansiosas que acordámos ainda mais cedo e eu resolvi que íamos a pé para a escola (é menos de um km). “ A pé? Claro que não mãe. Vamos de carro que fico com mais tempo para brincar”. Mas fomos a pé, a conversar. Não há muitas oportunidades de ir para a escola só para brincar sem mochila e sem pressa num dia de Verão. É claro que se esqueceu do almoço em casa e tive de lá voltar. Mãe sofre, já se sabe!

Deixei-a lá, e senti-me absolutamente leve. Tão leve que já nem sabia o que era isso. Seis meses depois alguém tomar conta da minha filha um dia “inteirinho”, e isso poder repetir-se por vários dias é absolutamente maravilhoso! Talvez me devesse sentir culpada por este sentimento até contranatura, mas a verdade é que não sinto. Foram 6 meses de intensidade máxima de filhas, e ninguém aguenta intensidades máximas o tempo todo.

Fui tomar um café a uma esplanada antes de ir para o escritório. A liberdade de poder ir ao escritório sem estar preocupada com elas é outra coisa que aprendi a valorizar muito. Eu sabia que quando voltasse a escola me iria sentir de férias. E sinto mesmo! Sei que vai passar rápido, que vão chegar os trabalhos e os testes, as birras e o cansaço extremo, mas por enquanto é só mesmo enjoy the Day by Day!

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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