E pronto… criou uma mini empresa!

E pronto… criou uma mini empresa!

Somos uma família de mulheres empreendedoras.

A Maria quis ir à viagem de finalistas , escreveu um livro de poemas que vendeu à família e amigos e lá foi. A Francisca queria um kidizoom,  arranjou um sistema de rifas, fartou-se de trabalhar a escrever histórias criativas para vender com as rifas, juntou o dinheiro do mealheiro, concorreu a uns passatempos da minha empresa e lá comprou o relógio.

A Madalena quer fazer uma viagem de família à Grécia. Como gosta de costurar resolveu fazer uma mini empresa onde vende sacos, mochilas, estojos, carteiras, toalhas de praia etc. O ano passado fez um curso de costura, onde aprendeu a fazer coisas amorosas. Desafiei-a. “ mas porquê que não fazes para a família e amigos?”.

E foi assim que nasceu a Summer_seam (@Summer_seam_). Abriu o mealheiro e investiu quase 75 euros em materiais. Cheia de medo. Eu disse-lhe : Nas empresas isso chama-se investimento. Sem investimento não há lucro. É um risco que tens de correr. E ela foi uma corajosa. Investiu.

Depois, não fosse eu financeira, fizemos um Business Plan . Aprendeu que o tão detestado Excel pode fazer coisas espectaculares como mudar uma célula e calcular tudo de forma automática. Aprendeu também que o Excel não tem de ser feio ou desinteressante. Pusemos tudo cor de rosa e cheio de estilo. Percebeu que para cada artigo é preciso determinar não só os custos de materiais mas também há que contabilizar o tempo de trabalho. Ajudei-a na definição do preço de venda e na segmentação dos artigos por rentabilidade. Fiquei com a certeza que nunca mais se vai esquecer do que é uma margem de lucro. Até porque isso é pocket money!

Entretanto pediu ajuda à Maria para a criação da marca. Andaram para trás e para a frente com nomes e logotipos até chegarem a Summer_Seam. O marketing digital ficou a cargo da Maria que a ajudou a editar as fotografias e a escolher as frases adequadas para o Instagram.

Chegámos à parte das vendas. A Madalena é muito envergonhada por isso aqui entra a Francisca com a sua capacidade de comunicação top que convenceu logo meia família.

No primeiro ano duplicou o valor que tinha no mealheiro. Mas mais importante que isso, sentiu o frio na barriga, arriscou e não desistiu do seu objectivo. Como o investimento foi totalmente dela, foi com redobrado orgulho que viu o seu “negócio” crescer.

A razão de contar aqui a história da Madalena,resulta do facto de ter sentido que esta ideia contribuiu imenso para o reforço da autoestima, a ensinou a trabalhar em equipa e lhe abriu horizontes, ao mesmo tempo que aprendia coisas importantíssimas como utilizar as fórmulas automáticas do Excel, determinar margens de lucro, pensar numa política de vendas e motivar a equipa ( eu, a Maria e a Francisca) para a ajudarmos. Isto não é tão parvo como parece, porque está mais que provado que é através da experiência que retemos a maior parte do conhecimento.

É verdade que a Madalena não é disléxica, mas esta ideia pode perfeitamente servir para pegarmos num hobby dos nossos filhos disléxicos e à volta disso trabalharmos imensos temas com eles, aproveitando a motivação máxima.

Afinal de contas, inspirando-se na irmã, a Francisca também inventa “ mini negócios” que a obrigam a treinar a motricidade fina e a escrever. Um dia destes escrevo sobre a caixa dos “paper squishy”*e das receitas de culinária.

*paper squishy – invenção do tik tok . Tradução de mãe: almofadinhas de papel forradas com algodão que pretendem ser anti- stress.

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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