Birras – daquelas monumentais…

Birras – daquelas monumentais…

Eu sabia que isto dos 15 dias de férias sem trabalhos e o facto de não trabalhar ao fim de semana me ia sair caro. Ainda não chegámos às férias, e reconheço que só os fins de semana livres são desde já um luxo.

Mas claro, tudo isto tem um preço. Baixa o ritmo de trabalho por isso quanto menos faz menos quer fazer. Temos andado tão tranquilas nos últimos tempos que a última coisa que me apetece são fitas e lágrimas.

Por mais estranho que pareça sempre que é Português a coisa flui, mas a Matemática é de loucos. É de loucos porque parece que está “perra” de raciocínio. Sei que preciso de dedicar muito mais tempo à matemática, mas a dificuldade dá direito à frustração. E da frustração à birra é num instante. Temos de treinar , treinar, treinar. Como treinámos as contas do algoritmo que me deixavam à beira de uma ataque de nervos, e de vez em quando parece que desaprendeu tudo. Dá uma raiva…

A choradeira piora tudo,claro. Fica irritada e o nível de concentração baixa. É tudo ao lado a partir daí. E começa o “fadário” que não vai fazer, e aquele drama da chantagem emocional de que só ela e que trabalha. Repara bem mãe : “ a Maria e a Madalena fazerem zero. Zero mãe”. E eu começo calmamente mas com aquela firmeza que dói : “ os trabalhos têm de ser feitos.Se precisares eu ajudo-te, mas não sais daí sem isso feito” , “ ah porque estou aqui há mais de meia hora, toda a gente está a brincar menos eu”, “ a escolha é tua, podemos acabar isso em 5 minutos ou podes demorar o dia todo. A escolha é tua”. “A escolha é tua” é uma óptima técnica, porque dá-lhe poder de decisão. E ela deixa de poder imputar a responsabilidade a mim ou à terapeuta ou a quem for. Depende dela: se quer continuar a extravasar a sua raiva, sem problema, mas a consequência está bem definida.

E isto às vezes resolve-se rápido e outras vezes demora horas, e mexe com o meu sistema nervoso. Juro que mexe. Mas tento ser muito coerente na reacção. Eu até posso apanhar uma enorme irritação, mas há uma coisa que ela tem sempre a certeza. Eu não desisto, nunca. Se tenho vontade de o fazer? Infinitas vezes…

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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