As notas…

As notas…

Às vezes entro em piloto automático, em semanas imparáveis e extenuantes. Isso significa menos paciência, mais esforço, e por vezes trabalhar com a Francisca mais tarde do que o normal.
Aprendemos a parar um bocadinho e a adaptar o que estudamos nesses dias.

Brincamos no quadro e tentamos tornar o trabalho mais leve. Muitas vezes (quase sempre) não apetece a nenhuma de nós. E às vezes vou como se fosse arrastada pela culpa e meia resmungona. Ela ainda tenta entre abraços e beijinhos e um meloso “estás tão cansada mãe, não trabalhamos hoje”, mas a culpa não me larga e lá vou para o quadro de brincar a tentar encher-me de coragem. Às vezes é como se tivesse um kit de energia e corre lindamente, outras vezes começo logo a irritar-me com a velocidade que está 10 vezes desfasada da minha. Quando a coisa começa a descarrilar ela olha para mim ofendida e diz que se é para ser assim que faz sozinha, que também está cansada e que não é por estar cansada que não tem atitude. Respiro 3 a 5 vezes e é o suficiente para encarreirar de novo e pedir desculpa da minha atitude infantil.

Isto para dizer que isto custa que se farta, que erro que me farto, que choramos às vezes, que rimos várias vezes e que a maioria das vezes acabamos com um abraço.

A semana passada foi a última semana de aulas deste semestre.
– Francisca fizeste a auto avaliação?
– Sim mãe. Pedi 4. Eu acho que quem pede 5 é porque se acha um bocado, sabes?

Fiquei contente com a autoconfiança, e aproveitei para reforçar que devemos sempre pedir o que achamos que merecemos mesmo sabendo que os quatros são difíceis. Hoje chegaram as notas, e…vinham com vários quatros que nos encheram o coração.

Obrigada queridos professores que adaptaram os testes (não para exigirem menos, mas para exigirem de forma justa). Não imaginam como uma coisa tão simples faz tanta mas tanta diferença na aprendizagem de uma criança disléxica!

PS- As crianças disléxicas são perfeitamente capazes de tirar quatros e cincos, só precisam que sejam aplicadas as medidas de apoio à aprendizagem a que têm todo o direito para serem avaliadas de forma justa. E por terem quatros e cincos devem ser aliviadas as medidas? Claro que não. Têm o mesmo direito que os outros em serem óptimos alunos!

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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