A Maria e a Dislexia

A Maria e a Dislexia

Novo dialogo do meu “eu” (às vezes é inevitável!)

⁃ Ah e tal mas agora no blog derivas para temas que vão para além da dislexia?
⁃ Sim.
⁃ Então e porquê? Qual é a lógica?
⁃ A lógica é que a vida é muito mais que a dislexia, e não é a dislexia que condiciona a vida. É a vida que enquadra a dislexia.
⁃ Isso quer dizer propriamente o quê?
⁃ Quer dizer que está tudo integrado. Não podemos agir como se fosse tudo separado.
⁃ Então e qual é a novidade de hoje?
⁃ A Maria faz anos!18 anos! Sou mãe de uma adulta. OMG

A Maria é a minha Dyslexia Influencer mais velha. A miúda que gere o Instagram, que põe os filtros todos a combinar, que edita os vídeos. É também a miúda que anda sempre atrás de mim porque “ temos de dinamizar o Instagram Mãe”, e quase me pôs de castigo porque “fechei” o blog em Agosto: “Francamente Mãe vais perder todo o engagement. “. Também me alerta sempre que há mensagens que ainda não respondi, e analisa cuidadosamente o famoso “engagement” das publicações. Isto para dizer que quando passarem no Instagram, mesmo que tenham zero de paciência para clicar no link da bio e ler o post, um like já ajuda a que eu possa ter uma férias de “engagement“. De salientar que o FB é exclusivamente meu (nada de filtros, tudo muito básico) – só para não ficar a ideia de que não faço nada!

Eu estou a brincar, mas a verdade é que a Maria me dá uma enorme ajuda e um enorme apoio na dislexia. Sem elas nada disto seria possível.

Parabéns à miúda de 18 anos mais gira que eu conheço, à miúda dos objectivos top, à miúda que segue os seus sonhos, à miúda que se desafia e vai editar um livro sobre um tema tão difícil como o divórcio,à mana mais velha que faz as melhores panquecas, e à minha filha mais velha preferida, que debaixo de uma capa dura tem o maior coração do mundo!

Sim Maria, antes que reclames o blog também serve para isto. Para enquadrar a dislexia da Francisca naquilo que todas nós construímos com muito amor. A parte impacta o todo, mas o todo também enquadra a parte. E isto funciona para tudo na vida. Resumindo: a dislexia influencia a nossa família, mas a forma como lidamos e acolhemos a dislexia nas nossas vidas influencia o resultado e torna o caminho mais feliz!

Parabéns querida Maria!

PS- Nem posso acreditar que já és adulta. Dentro de pouco tempo estou num lar, está visto…

PS2- Inspirada em ti, querida Maria, a Francisca passou horas a preparar o teu presente. Um frasco com 18 vales, escritos por ela, porque fazes 18 anos : “Vale um aperto de bochechas” , ” Vale dormir no teu quarto”, ” Vale o comando ser teu” ; ” Vale pôr a loiça na máquina por ti”, ” Vale paz e sossego”…. adoro! 

Partilho aqui o presente, porque pode ser uma excelente forma de os incentivar a escrever. Eu não valorizo os erros, simplesmente corrijo e pomos no caderno das palavras a treinar. Isto para que a Francisca sinta que pode sempre arriscar e não se retraia. Resulta!

 

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

6 Comentários

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    Angela da Conceição Alvarez Caiano da Silva santos

    9th Out 2020 - 18:46

    Amei,ouvir a entrevista que deu a jornalista Dina Aguiar.Bem haja por ser quem é. Que Deus vos continue a dar sabedoria para continuarem o vosso lindo trabalho.

      Patrícia Teixeira de Abreu

      Patrícia Teixeira de Abreu

      9th Out 2020 - 23:28

      Muito obrigada Angela pelo seu simpático feedback.
      Um beijinho
      Patrícia

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    Carlota Maria Madeira

    11th Out 2020 - 17:32

    Boa tarde!
    Não tenho por hábito escrever comentários em lado nenhum… sigo páginas, blogs, mas fico-me pela leitura, mas hoje, hoje é diferente! O tema vive comigo e com a nossa família há 18 anos!Por isso , quando vi a entrevista a esta mãe “guerreira”decidi que ia procurar e dizer alguma coisa!O meu filho mais velho , hoje com 28 anos, foi diagnosticado(de papel passado…) quando tinha 10 anos, estava então no 5º ano… Eu sou professora e, na altura, achava , idilicamente, que tudo ia ser muito difícil, mas a escola ia colaborar…No dia em que entreguei o relatório, a DT perguntou-me se, sendo eu professora numa cidade pequena, ia querer que um filho de professora fosse marcado e estigmatizado… um membro da direção da escola mandou-me embora com a frase”vá-se tratar, a senhora é que está doente…”; fui apelidada de louca , desequilibrada e maluquinha…
    Começou, então , uma dura batalha, para ele, que precisava de estudar 3 ou 4 vezes mais que outros e para a família, que para além do apoio normal recorreu a técnicos que lhe e nos ensinaram técnicas para estudar, para recompor a auto estima e tudo o mais que é necessário e que revi na reportagem. Na mudança para uma escola com 3º ciclo e secundária o caminho foi feito, os apoios foram dados e o estatuto funcionou. Houve que partir muita pedra, trabalhar muito, investir em horas e horas de preparação de aulas, testes, apresentações orais e tudo o mais que é necessário sempre com o apoio do pai e da mãe que todas as semanas revia os cadernos, corrigia os erros que ele repetia no tal caderno…. escrevendo frases onde as palavras corrigidas faziam sentido!Sempre demonstrou um pendor especial para a s artes e licenciou-se em Restauro e Conservação, frequentou o mestrado, realizou o trabalho prático(a obra recuperada esta patente num museu que é bastante visitado, mas não conseguimos que escrevesse a tese para apresentar e defender…o medo da escrita foi mais forte! Foi uma pequena batalha que se perdeu, mas o caminho construído foi francamente positivo.Desenvolveu-se um ser humano sensível, preocupado com os outros e solidário. Hoje, trabalha na área de restauro e os passos são curtos,mas com maior autonomia e segurança e… os erros diminuíram muito e voltou a interessar-se pelas línguas, o seu calcanhar de Aquiles.Um dia de cada vez…Valeu a pena todo o esforço! Sei que não é bem um comentário, mas ver na televisão a descrição de um processo que tão bem conheço, levou-me a colocar em palavras o que nunca tinha dito! numa ação de formação que frequentei , logo no início do processo, dizia um formador …” um disléxico tem a mente de um Ferrari , mas tem um Fiat Uno nas mãos…”

      Patrícia Teixeira de Abreu

      Patrícia Teixeira de Abreu

      14th Out 2020 - 21:46

      Boa noite Carlota
      Muito obrigada pelo seu testemunho. Ainda bem que quebrou a sua regra. É um alívio ler casos de sucesso. Eu sei que vai ser difícil mas não vou desistir.
      Muitos parabéns pelo seu filho!
      Um beijinho
      Patrícia

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    zelia furtado

    12th Out 2020 - 14:18

    Gostei de ouvir a sua entrevsita. Deixou-me mais desperta para o que me espera, a minha filha tem uma forte probabilidade de ser disléxica.

      Patrícia Teixeira de Abreu

      Patrícia Teixeira de Abreu

      14th Out 2020 - 21:41

      Boa noite Zélia
      Obrigada pelo seu comentário.
      No blog nas Informações/Terapia da Fala, tem um artigo da Sara Lourenço Gomes sobre os sinais da dislexia.
      Quanto mais cedo for diagnosticado, mais fácil é a aprendizagem.
      Um beijinho
      Patrícia

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