A Maria, a economia e a dislexia…

A Maria, a economia e a dislexia…

A Maria no seu primeiro ano de Direito precisava de um tema para desenvolver na oral de Economia. Eu, economista de formação, tenho zero paciência para temas chatos e cinzentos, mas adoro temas relacionados com economia comportamental, com utilidade prática comprovada. Propus-lhe que escolhesse analisar as supostas decisões racionais dos consumidores.

Esta introdução para explicar a razão deste post sobre um dos meus livros preferidos que se chama “Pensar depressa e devagar” que foi escrito por Daniel Kahneman, prémio Nobel da Economia. Este livro explica como é que as nossas reacções supostamente racionais são afinal controladas pela nossa parte do cérebro mais emocional.

Como pessoa prática que sou, pensei como é que poderia por isto ao serviço da dislexia. Como é que as percepções me podem facilitar a vida? E de facto não há nada como conhecer as armadilhas da mente para as contornar.

Voltei a pegar no livro. E houve uma parte do livro que me chamou a atenção:

“Queremos que a dor seja breve e que o prazer dure. Mas a nossa memória tem evoluído no sentido de guardar o mais intenso momento de um episódio dor ou prazer (o pico) e as sensações ligadas ao final do episódio.” – isto significa que independentemente da duração dos momentos bons, ou maus, o que a nossa mente retém é a intensidade e as sensações ligadas ao fim do acontecimento. Ou seja “ na avaliação intuitiva de vidas inteiras, bem como de breves episódios, os picos e os finais importam, mas a duração não.”

Esta é só um das imensas “armadilhas” da nossa mente, mas a mim ajuda-me a trabalhar com a Francisca, e reforça a minha ideia para que terminemos o trabalho sempre da melhor forma, por exemplo com um abraço. É essa a memória que vai ficar retida e que vai condicionar as próximas sessões.

Venham de lá esses abraços ou essas sessões em que estou inspirada e nos divertimos em grande … a trabalhar!

PS- Sei que já contei isto, mas como a Matemática nos acompanha estas férias e resolvemos criar jogos para outros meninos com as matérias que trabalhamos, deixamos o fim do nosso trabalho diário para “discutirmos” os detalhes do nosso novo projecto, o que deixa a tal memória “boa” e retira peso ao facto de termos de trabalhar diariamente, mesmo nas férias escolares.

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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