Concurso de palavras difíceis

Concurso de palavras difíceis

Este texto foi escrito antes da quarentena, claro!

Muito de vez em quando, para conjuntos de palavras que são mais difíceis, a terapeuta combina com a Francisca um concurso. Ela estuda as palavras em casa e na semana seguinte fazem um jogo em que a Francisca escreve as palavras que ela vai ditando. Se acertar ganha um ponto. Se errar, a terapeuta ganha dois. O prémio é um chocolate que compramos antes de entrarmos para a sessão. Isso é um acontecimento raro, pelo que gera muito entusiasmo.

Hoje como habitualmente parámos no café ao lado da terapia porque chegámos mais cedo. Esta semana estive mais ausente do que o habitual pelo que senti que o treino não foi o desejável. Eu estava um bocadinho preocupada, porque é importante que estes concursos corram bem, uma vez que são uma excelente oportunidade de reforço da auto estima. Propus que olhasse para as palavras um bocadinho para memorizar. E ela pegou no caderno e leu as palavras mais do que uma vez. Isto seria impensável há seis meses atrás. Não teria qualquer interesse, e provavelmente o que eu ganharia era uma valente birra.

Ela sabe que a terapeuta é exigente, e que não vai ser fácil, mas entrou com confiança. Ganhou e terminou a sessão, exausta mas radiante. Eu dei-lhe um grande abraço e disse-lhe que o importante não foi ganhar. Foi o facto de estar confiante, cheia de atitude e ter conseguido um elevado nível de concentração. Nem sempre os resultados são o que nós queremos, mas se trabalharmos muito, mais cedo ou mais tarde aparecem.

Sorriu. Abriu o chocolate e deu-me metade. Eu disse que não queria. Insistiu e olhou para mim com aquele ar vencedor de quem não admite réplicas : “Trabalho de equipa Mãe”.

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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