Problemas sem fim à vista…

Problemas sem fim à vista…

Chegaram os resultados dos testes. No meio dos vários testes vinha uma ficha de matemática de problemas. A verdade é que nestes meses de confinamento não trabalhámos os problemas em casa. O tempo não dá para tudo. Eu não ligo muito às notas, mas aquele “Insuficiente” foi mesmo, mas mesmo baixinho. Quando a Francisca me mostrou não valorizei minimamente. Ela estava com aquela aflição da nota. Dei-lhe um abraço bem apertado e festejámos o “Bom” nos algoritmos ( que treinamos todos os dias sem parar), o teste de português e o “Bom” da composição. Grandes vitórias! Combinámos que íamos arrasar nos problemas no próximo teste e ela saiu da sala contente e confiante.

Depois fiquei a processar. Já sozinha olhei para o teste dos problemas e vi o esforço gigante que fez ao tentar algo para o qual não estava preparada: 1/5 dos meninos que fizeram não sei o quê e 1/3 que…sei lá.Deu-me uma raiva imensa. Sem vergonha nenhuma confesso que chorei compulsivamente mais de uma hora. Chorei de desalento, de solidão e de medo de não estar a fazer o suficiente. Depois senti um abraço bem quentinho da minha filha do meio que me disse: “ Mãe este é mais um sinal que tens de ir mais longe no teu blog, há muitas coisas que têm de ser feitas de forma diferente nas escolas para que os miúdos aprendam melhor”.

Acalmei-me. E pedi ajuda a esta rede fantástica de pessoas que ganhei com o blog: mães, terapeutas, professores e adultos disléxicos. Ouvi as estratégias de quem sabe e de quem já passou pelo mesmo. Foi reconfortante, deu-me confiança e a certeza que isto é sem dúvida um trabalho de equipa que tem de ser constantemente afinado entre pais, terapeutas e escola.

Desde a semana passada que fazemos problemas todos os dias. Começámos por torná-los divertidos e menos subjectivos. Para isso usámos as brincadeiras com “Playmobils”. Ajuda a materializar.

Depois passámos para o papel: Separamos a folha em Dados/Indicação da operação/ Resolução. E repetimos. Repetimos vezes sem conta.

Isto fez-me pensar em duas coisas: a primeira é que há um enorme trabalho a fazer nas escolas para se ajustarem as formas de ensino, e para isso precisamos muito de professores que partilhem ideias “fora da caixa” para aprendizagens alternativas. A outra é que tenho de recuperar a minha ideia de aproveitarmos a experiência de outras mães e criar um file com estratégias de aprendizagem por anos para que tudo seja mais fácil para todos. Quem alinha?

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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