Dias pouco cor-de-rosa

Dias pouco cor-de-rosa

Estas semanas têm sido muito difíceis.Não tenho tido tempo nem para respirar.
As aulas começaram há cerca de 3 semanas. Já há trabalhos e testes diagnóstico e matéria para estudar. E também há a culpa de não estar a acompanhar como gostaria. E às vezes verbalizo esta minha ansiedade. E a Francisca responde :”Eu estou mais crescida, também preciso de estudar sozinha. “ E tem razão. Fomentar a autonomia é fundamental. Mas não me livro da culpa.

A semana passada começámos a terapia e correu tão, mas tão mal…
Correu mal porque vinha irritada da escola.
Correu mal porque continua a ser difícil para uma criança de 11 anos ter de trabalhar muito mais que os outros.
E também correu mal porque não lhe dei espaço: fui buscá-la a correr à escola e entrámos de imediato na terapia sem tempo para saber a razão da irritação.
Na verdade correu tão mal que quando acabou a terapia tive de ir dar uma volta e apanhar ar antes de qualquer conversa, enquanto ela ficava com as irmãs.

Demorei quase uma hora e quando cheguei a casa abraçou-me pediu desculpa e contou-me o dia na escola. E eu ouvi e perguntei o que tinha feito desde que eu tinha saído. Respondeu admirada “Chorei. Eu só precisava de chorar um bocado Mãe, eu preciso mesmo de chorar de vez em quando, porque senão fico desagradável”.
Lição aprendida para mim, que às vezes também preciso de chorar. E pronto, começámos do zero.

Patrícia Teixeira de Abreu

Vivo a vida com intensidade e acredito que a dislexia pode ser uma oportunidade única de crescimento para uma família de miúdas com garra.

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